Entre corridas, treinos de musculação e outras atividades, muitas mulheres já reservam parte da semana para cuidar do corpo. Nem sempre, porém, as consultas médicas e os exames periódicos recebem a mesma atenção. O bom condicionamento físico pode até transmitir uma sensação de saúde, mas não elimina a necessidade de outros cuidados preventivos.
O Outubro Rosa reforça a importância de conciliar hábitos saudáveis com acompanhamento médico. Embora a prática regular de exercícios contribua para reduzir o risco de câncer de mama, ela não substitui os exames de rastreamento, fundamentais para identificar a doença precocemente.
Como o exercício físico contribui para a prevenção?
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a atividade física ajuda a controlar o peso corporal, regular os níveis hormonais e fortalecer as defesas naturais do organismo. Esses benefícios estão associados à redução do risco de desenvolver diferentes tipos de câncer, incluindo o de mama.
Uma das principais relações envolve o estrogênio, hormônio que pode estimular o crescimento de determinados tipos de células mamárias. Como o tecido adiposo participa de sua produção, especialmente após a menopausa, o excesso de gordura corporal pode aumentar a exposição ao hormônio. Nesse contexto, os exercícios contribuem para o equilíbrio metabólico e melhoram a sensibilidade à insulina, auxiliando na prevenção da doença.
Para obter esses resultados, não é necessário realizar treinos exaustivos. Caminhadas, corridas leves, ciclismo e musculação são alternativas que podem ser adaptadas ao condicionamento de cada mulher. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda pelo menos 150 minutos semanais de atividade física aeróbica moderada para adultos.
Mais importante do que buscar resultados imediatos é encontrar uma modalidade prazerosa, que possa fazer parte do cotidiano de maneira consistente.
(crédito: Tovcare)
O papel do autoconhecimento e da mamografia
Nem sempre as mudanças nas mamas provocam dor ou apresentam sinais facilmente perceptíveis. Por isso, é importante compreender o que pode ser identificado no dia a dia e o que depende de exames específicos.
Conhecer o aspecto habitual das mamas ajuda a perceber sinais como nódulos, modificações na pele ou secreções espontâneas pelo mamilo. Essa atenção ao próprio corpo, frequentemente associada ao autoexame de mama, não substitui o rastreamento. Ao notar qualquer alteração, é importante procurar avaliação médica, sem esperar pela próxima consulta de rotina.
A mamografia, por sua vez, é o principal exame utilizado no rastreamento do câncer de mama, pois permite identificar lesões antes mesmo de se tornarem perceptíveis ao toque. A detecção precoce pode aumentar as possibilidades de um tratamento bem-sucedido.
No Sistema Único de Saúde (SUS), o rastreamento de rotina é recomendado a cada dois anos para mulheres entre 50 e 74 anos. Na faixa dos 40 aos 49 anos, o exame também pode ser realizado após orientação profissional sobre seus benefícios e possíveis riscos. Já sociedades médicas brasileiras, como a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), recomendam a realização anual a partir dos 40 anos.
Diante dessas diferenças, conversar com um ginecologista ou mastologista é fundamental para definir o acompanhamento mais adequado, considerando a idade, o histórico familiar e outros fatores individuais.
Saúde preventiva além do Outubro Rosa
Assim como os treinos costumam ter dias e horários definidos, as consultas e os exames podem fazer parte desse planejamento. Conferir quando foi realizada a última avaliação médica e esclarecer dúvidas sobre os cuidados necessários são atitudes que ajudam a manter a saúde preventiva em dia.
Essa organização permite que a atenção à saúde da mulher não fique restrita a situações de urgência ou ao surgimento de sintomas. Afinal, muitas condições podem se desenvolver de maneira silenciosa, tornando o acompanhamento regular especialmente importante.
O Outubro Rosa é uma oportunidade para rever esses hábitos e incorporá-los ao restante do ano. Mais do que reservar tempo para cuidar do corpo, a proposta é manter uma rotina que considere diferentes aspectos da saúde e da qualidade de vida.
Este texto possui caráter exclusivamente informativo e não substitui a consulta com profissionais de saúde.
(crédito: Tovcare)